terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sem Ajuda da Lua


Sempre vai existir na madrugada
uma aflição que pesa a consciência,
porque você lembrou que no último encontro
não disse ao menos uma palavra extrovertida
que pudesse provar pureza e espontaneidade.

Sempre vai existir na madrugada
a vontade de ser bonito, ou carismático,
como o personagem da foto do álbum que você está a olhar,
um modelo constantemente bonito,
que tem a leveza exposta na pose à vontade,
todos os dentes no lugar e o sorriso invejável.

Sempre vai existir na madrugada
a latente vontade de ser o melhor do mundo em alguma coisa,
qualquer coisa, não importa o algo.
O que importa é ter a gorda consciência da pujança,
de que pelo menos, depois da morte,
você será lembrado e enaltecido por ter sido o melhor um dia,
mesmo sabendo que o melhor aluno é o mais burro de todos:
só tira dez, e assim não há como evoluir mais.

Sempre vai existir na madrugada
a vontade de ler a carta penitente da pessoa amada
mas por cima da vontade reside o orgulho,
proteção contraditória em si,
pois impede o amador de perceber
que o passado é casca de banana
e o agora, a semente do que já esteve em plena floração.

Sempre vai existir na madrugada
uma lembrança do primo do interior
o famoso primo sumido, o que nunca ia separar de você
e você ainda tem o telefone dele na agenda,
mas não há por que ligar.
Ele vai ficar pensando por que você ligou,
como se o maluco não fosse ele.
E então, o que dizer?

Sempre vai existir na madrugada
a vontade de rimar, de fazer uma rima universal
onde tudo se combine, com virtuosa exatidão,
uma exatidão que provoque conforto
e impressão de que agora o travesseiro
espera por você, com justiça e satisfação,
como se deixar de cumprimentar um amigo íntimo
apertando-lhe as mãos fosse erro irreversível.

Sempre vai existir na madrugada
uma sensibilidade misteriosamente estrangeira,
rica para os poetas e filósofos
e ridícula para os que dormem,
sonhando que existe alguma coisa na madrugada
mas continuam treinando a morte desde cedo.

Fábio Campos Coelho (16/12/09)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Constatações sobre o mundo


O que desponta primeiramente é o estertor
Decorrente da falta sacana de cabal eficiência
Da mensagem que queria se mandar,
Fugidia doravante, pois queria sempre será pretérito:
Nem a retórica de Deus é idêntica
Ao Seu pensamento.

No entanto, a falha é necessária ao regalo,
O cúmulo do lépido.

Primeiro, se pensa que o tutano é suficiente.
Pensa-se, pensa-se, pensa-se.
De tanto constatar, é confessado
O ato de ter inveja ser presente em todo ser humano,
Sem exceção.

Mas todo mundo é porra, porra!
É pura biologia, não é réu por ter instinto,
Muito embora o invejoso
Seja motivo repugnante de mangação
Realizada pelo invejado.

Depois de pensar que se pensa corretamente,
Discorre-se acerca da entremez da maconha,
Mesmo sendo uma erva inofensiva,
Segundo quem não quer parar de fumar...
Porque ela não faz mal,
ela não tem química nenhuma,
mas isso é truísmo apenas para aquele
que não consegue parar de fumar
e fala que consegue, mas não logra nada.


O perdão também é incluso nos processos
De conclusão do trouxa carente de consolação externa.
A misericórdia tem um sentido sagrado agora,
Pois o evoluído espiritualmente tem o ofício
Lindo e patético de perdoar.

Os ímpios ainda estão em crescimento
De compreensão,
Enquanto o escusado continua vacilando
E transgredindo o exemplo ético dos castos.
Para o violado, a intrepidez vai aprendendo
Com seus próprios erros.

Um poeta, vendo a vulgaridade dos limitados temas
De suas opiniões sobre as coisas,
Decide que vai agora escrever uma poesia universal,
Com a dolorosa rigidez de pensar
Dez maneiras distintas para a estética de cada verso.
Não importa quanto tempo custará
uma poesia decente, sensata:
Ele quer entrar para a História!

Naquela multidão, com os olhares acompanhando
As pernas grossas e saias curtas
Até ter torcicolo,
Confere-se uma certeza salaz e lenitiva:

Não existe a mulher ideal, parceiro!
Aquela que cozinha para o marido
Com plena satisfação de moça fasta,
Numa matiz azougue definitiva,
Afinal, não existe mulher perfeita, meu amigo:
Um dia ela vai tirar meleca do nariz
Diante de você!

E tomando uma cerveja, sempre vai vir um comensal
Lhe dizendo que quem nunca amou mais de uma vez
Não sabe o que é aproveitar o júbilo de ejacular
Dentro de uma vulva de mulher que
não tem valor emotivo.

Ninguém discorda de que Vinícius de Moraes
Desperdiçou o dever masculino.
Aquele, sim, soube viver!

Vem também as elucubrações sistemáticas
Sobre o futuro, pois afinal, ele depende de agora,
Não é assim que a mãe diz?

Depois de fritar a cabeça de tanto pensar,
É deliberado seriamente
Que a viagem ao Rio de Janeiro no final do ano
Não deve acontecer, porquanto compensa mais
Estudar para concurso público.
Ora! Depois você vai viajar quantas vezes quiser.
A maior meta agora é ficar independente dos pais.

E no ocaso, enfim,
Reflete-se sobre a injustiça
E o revoltante estado de vida boa do injusto,
Sobre a função dos cavalos,
O silêncio reticente dos namorados,
A vergonha de ter chulé,
O primeiro ser humano que gerou cada um de nós,
O preconceito provavelmente infinito
Com gays e negros.
E no final reflete-se sobre o ridículo e redentor
Enigma da morte.

No dia seguinte,
Constata-se que constatação
É volubilidade de opinião,
Um astronauta que não machuca ninguém,
Só segue a órbita normal das coisas.

Fábio Campos Coelho [17.11.09]

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sepultura de um Feliz


Amigo, ele morreu!
Quem?
O macaco.
Eu imagino isso acontecendo a algum momento,
Não tem nada a ver com predileção
essa circunstância
E agora, o que adianta falar correto, só porque
está se fazendo uma poesia?

Vocês entendem?

Na verdade, quer saber?
Todo mundo pensa nisso,
Isso não é pecaminoso. É, foi e será catarse:
A catarse do orgulho, sabe?
Do ego se inflando,
Pois o indivíduo gosta de si também.
Gostar de si é coisa diferente,
Porque si é...
Si é...

Si é você,
mas saindo da lógica,
eu sei que todo mundo sabe
que si é você!
Não é coisa de otário, meu irmão!
Fugindo da lógica, querendo suprimi-la,
Olha o tanto que Você é especial
Não você, ouvinte
Eu estou falando é da palavra “você”!
Olha como ela é forte!
Em qual sentido?
Não há resposta:
Diferente pra cada um.

Mas então, se tu és gajo mesmo
Vamos voltar ao assunto inicial, vamos...
Faça concatenação entre o ato
De querer ver-se morto
E os amigos lastimando a ausência
Definitiva, cruel,
inaceitável, inevitável e no final,
Inexorável da tua presença pândega
Entre eles.

Amigos, um rabicho eterno,
A segurança de não ser sozinho.
Mas eu pensei naquilo,
Naquela coisa que no fundo
Ninguém quer experimentar,
Mesmo morto não sentindo.

Eu pensei naquilo só pra ter certeza
De que os meus pais indiretamente foram úteis
Para um espaço, embora abstraído,
Em cada pessoa,
Um espaço que compensa existir.
A gente arremata isso através do sorriso
E o sorriso é concreto.

Fábio Campos Coelho (08.10.09)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Esperando a aurora no dia das crianças


A juventude, não já fazendo uma limitação a ela,
com parâmetros de idade e a rotulação promíscua
do que seria um feitio de juventude,
pode ser o que quer com apenas um instrumento:
a aleatoriedade da forma de ser.

Os felizes não pensam no que vão fazer
na sexta-feira à noite
mas na madrugada eles honram a razão de existir
sem a pudicícia do riso frenético e constante.

Eles conversam confusos, como as cigarras,
que interrompem a exegese de cada minuto
que não é exegese coisa nenhuma
porque a explicação é anúncio de equidade.

E quando eles chegam em casa
as mães de cada um perguntam
se eles não vão dormir.
Você não está com sono, meu filho?

A resposta é sempre semelhante
em todas as ocasiões:
Para que dormir?
Todos justificam que antes de dormirem eternamente
antes de um sonho longo, sem fim,
o descanso sisudo, penitente e conspícuo,
a lenidade corporal definitiva,
a plenitude de neutralidade emotiva
Eu quero ver o sol nascer, mãe.

A consciência da decepção promovida
pelo sono intransigente com o feliz
promove o redentor descobrimento
da singularidade de sê-lo.

Fábio Campos Coelho (12.10.09)

sábado, 10 de outubro de 2009

Atenção para a reflexão de Felício


Hum... Bom saber disso. Bom mesmo!
Então quer dizer que é melhor sempre,
sempre, sempre fazer as coisas de que se gosta,
ficar feliz e depois...

E depois sou eu quem digo... E depois, Felício?
O que você vai fazer? A mesma coisa!
Felício vai ouvir o seu som predileto no máximo volume
e vai brincar com o jogo de sete erros.
Mas ele só acha seis.
Todos ele nunca conseguiu achar.

Mas agora venha cá, meu amigo.
Agora é assunto sério:
Você nunca pensou em sentir um pouco
um pouco aquilo por que você não tem simpatia,
algo que você não tem costume de fazer
pois a ledice não atrai?

É. A alternância de costumes é coisa tão furtiva,
que a gente morre sem saber que um intervalo neutro
do prazer é banho de cachoeira.
Até o professor, que é considerado
o maior possuidor de retidão
gosta de intervalo.

É saudável também os intervalos servidores de acicate:
Acicate para se parar de ter plenitude de júbilo
e lembrar do problema de ontem,
cuja relevância todos confessam ser maior que a satisfação.

A chave estava na portaria,
mas Felício queria muito comer a torta alemã,
e agora ele vai ter de voltar lá em baixo,
inevitavelmente.

Felício gostava do seu nome,
mas refletiu, durante um ínfimo ínterim,
o que foi suficiente para mudar de nome.
Porque Felício era apenas nome,
e não conceito.

sábado, 3 de outubro de 2009

Kilometrôs de Cansaço


Esse silêncio com a mão no queixo

e concentração na coisa mais profunda.

Não me pergunte em quê,

eu também estou na inhaca noturna das feiras.


Esse silêncio, enfim, com o olho fechado,

Mas fechado por poucos segundos.

Ele fecha e abre constantemente,

Conforme o barulho, que não é balbúrdia.

É só barulho, mesmo,

De sai e entra em cada parada.


É um silêncio que desperdiça a simpatia

E comentário do dia

E das coisas de amanhã

Que tem de se fazer,

Tem de se fazer,

Afinal é a dignidade que está em jogo,

e isso é tão sério quanto vigiar os filhos pequenos

que estão na piscina.


Todo mundo está cansado,

Mas ninguém disse que isso é ruim

Porque, na raiz da razão,

Não o é.


Esses corrimãos aéreos,

Quase no teto do metrô dizem:

_Pronto, eu estou aqui trabalhador.

Me segure, que eu te seguro,

Eu sei que você se extenuou muito durante o dia.


E no final todos os passageiros saem,

No escopo do jornal da meia-noite

E de dois travesseiros:

Um para colocar a cabeça

E o outro para abraçar:

Abraçar a satisfação o remanso,

cujo pivô é a consciência de que se move.


Fábio Campos Coelho (30.09.09)

domingo, 30 de agosto de 2009

Deus Barroco


Força superior
Sempre superior.
Ele é um velhinho (velhinho)
que sempre existiu.
Sempre superior, sempre existiu.
É desse jeito mesmo!


Ou que velhinho o quê?
Ele não é bem, nem mal,
isso não existe!
Ele é, apenas é
para aquele que acreditava somente ser,
mesmo sendo assassinado.
Nosso John era um cara legal, Ah Ah Ah!


O nosso Pai
não o biológico,
o com p maiúsculo mesmo,
o nosso Pai, Deus Todo Poderoso
exige obrigação de crença
pois é afronta não crer,
isso não existe!

Ninguém deseja o inferno
e o homem depende disso,
dessa segurança de se salvar
para não ir ao lugar
onde tem um homem mal
que é sujeito bem matreiro
mas não consegue atingir
quem não quer que lhe atinja.
Deus Salvador é nosso Senhor!


A minha mãe fez fiu fiu
quando meu pai andava de bicicleta na esquina.
Se não fosse aquela esquina
eu não estaria aqui, é lógico!
Não é lógico!
Eu estaria sim:
a minha existência é inevitável
seu burro, seu burro!
Seu burro?


Por que, eu fico pensando,
estou falando tudo isso?
Toda vez que meu cachorro foge de casa
eu logo faço o nome do pai,
ajoelho e peço a Ele com sinceridade e dedicação
e sempre no final o Duda aparece.


O porteiro fala que reza para Deus proteger o filho dele
que está com câncer e tem poucas chances agora.
Mas é assim, ele vai falar mais
pra quem?
pra quem??
pra quem???


Mas nao vai dar em nada essa conversa,
a comunicação parece estar dispersa,
eu só sei de uma coisa:
Seja ele o que for!
Força da natureza,
uma luz lá no fundo,
o dono do mundo
o medo de cada um,
aquele que tem milhares de orelhas
para ouvir os pedreiros, presidiários e presidente.


Quando eu for bem velhinho
ou meio moço, ainda, talvez!
Sei lá! É Ele que sabe a minha hora...
Eu vou pedir ao meu Deus,
concebido do modo intrínseco meu de conceber,
que Ele salve a minha alma,
pois a minha alma não pode sofrer:
Eu nunca matei ninguém
para sofrer depois de morto!


Deus existe!
E eu vou rever a minha vó, lá no céu.

Fábio Binho (08/09/09)

Do Goiano ao Mineiro


Desde muito sempre

quando nem me dava por gente

tentaram me ensinaram a rimar

mas eu não conseguia,

a professora debochava e ria

e o que apenas dizia:

Tente!



Era tão difícil, puro sacrifício.

O vocabulário indigno, vergonhoso

não me sugeria nada,

metrificação desorientada,

Parnasianismo seria uma latada.

Cadê o gozo?



Mas fui crescendo, lendo e lendo,

estratégia de garoto sagaz.

Dicionário muito usado, fato estupendo,

deixei a ignorância pra trás.



Cultivava Bilac e a sua rigidez,

fazia agora requinte, redondilha maior

Tudo metrificado, e no dia seguinte

gostava de ver que ali tinha suor.



Mas um dia a minha empregada me salvou

Me salvou sabe de quê? Da perfeição:

Binho, vai procurar a ração!

Acho que está na instante do quartinho

Mas por favor, procura com carinho

e dedicação.



Fuçei, fuçei, fucei

Olhava de parte em parte,

mas infelizmente não achei.



Só que lá no fundo, lá no fundo

tinha um livro desses

sujos de poeira e soltos pelo mundo.



Um livro de poesias de um tal mineiro,

um cara magro, de óculos,

com a cara concentrada não sei em quê!



Sentei no banquinho da dispensa

e li uma, duas...

Na terceira poesia percebi

que ele não tinha o requisito

que a minha professora achava

que todo poeta tinha de ter.



O mineiro não rimava,

ele não tinha requisito...

mas mandava bem a mensagem.

Muito esquisito, tinha algo de errado!



Alguma coisa me dizia:

Amigo, sai dessa de rima,

dê a volta por cima.

Você tem que se ligar é no recado!



De tanto me ligar da moral das mensagens

Eu fiz uma, mas fiz direito:

Não Tome como parâmetro de competência

A profissão de um sujeito.

Assim também é com a estética:

O que muda o recado

se é professora ou doméstica?



Se não houver mais perfeição aqui

não venha falar comigo.

Vá brigar com aquele cara

que nem sabe, mas é meu amigo,

o cúmulo da espontaneidade,

sujeito mineiro de Itabira

que surpreendeu o goiano caipira:

Carlos Drummond de Andrade.



Fábio Coelho (29.07.09)





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O menino George




O pé sujo e cortado já anuncia
a convivência com os ocupados
no sinal vermelho.
E vai ser assim sempre,
o pescoço de Deus não é como o da coruja;
se ele vira para um lado só, não é displicência,
existem Jujuba e bolinha de tênis
pra fazer malabares.

Meu Deus, que menina linda,
Olha esse olho, olha esse cabelo,
essa sandália, as unhas bem feitas
mas eu não vou falar com ela,
o asco nunca combinou com libido.

George sabe que nunca vai conseguir essas meninas
que estão felizes porque vão viajar à praia.
Acabou o ano, já é final de semestre.
O amigo dele fala que é impossível,
mesmo com um buquê de flores.
Não tem cabimento, ela mora em apartamento
e você na faixa de pedestre.

O pai já se foi
Roubou duas caixas de leite
O policial gritou: Ponha a mão na cabeça e deite!
Ele não quis ouvir e, dizendo George,
foi assim que seu pai foi para o céu,
mas para um homem que passava de terno
não foi pro céu coisa nenhuma,
ele foi para o inferno.

O menino não tem mãe,
mas graças a Deus tem tia,
ou melhor, no plural:
George tem milhares de tias.

Tias que ele conhece diariamente
que chegam e vão embora rápido
sem deixar recados para onde vão
e somem no sol quente.

Ele tem tias, mas não é sobrinho.
A reciprocidade não existe, não há interesse.
No contato do ar condicionado
as tias olham George, mas olham rapidinho,
por que, pra elas, ele é gente?

Mas não falemos mal das tias, por favor!
O mundo anda tão violento
Esses meninos são perigosos,.
Fecha o vidro! Eles chegam, levam a nossa bolsa
e fogem como vento!

Uns vêm vendendo chiclete,
mas não se pode confiar, filho!
Minha amiga leu no jornal e me disse
que não é mais tempo de tolice
Eles abordam agora é com gilete.

E depois o pessoal vem falar
que o povo tem preconceito e tudo mais,
que a humanidade é ímpia
e só olham para o próprio umbigo.

George conheceu um menino legal
que lhe olhou com um jeito tranqüilo, sem medo
um cara sem maus olhos, caráter diferente.
E houve uma conversa envolvente
George foi chamado de garoto inteligente
E nasceu dali uma brilhante amizade.

Mas que amizade passageira!
O menino refletiu: será que é bom
dar moral pra esse maltrapilho?
Se eu chegar com George lá em casa
A minha mãe vai arregalar os olhos e dizer:
O que é isso? Ficou maluco, filho?

Fábio Campos Coelho (10/08/09)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ponderação


Você não se lembra de que
o professor falava pra medir as coisas todas?
Mas você concorda com ele, mesmo?

A efusão verdadeira de antes
agora se torna mais madura
e já não se pode mais chamar isso
de efusão.

Não há outra coisa a explicar
como causa, senão o tempo.
Não existem desculpas, existem ilusões.
O tempo é o cúmulo da mudança
e aplaca alentos cuja condição de existência
é a vaidade e a juventude.

Aquela preocupação de ser visto
com más impressões,
andando nas ilhas
que dividem as avenidas,
não é costume indispensável.
Já que sabemos (ou não?)
que a existência da veiculação fétida da reputação
é tão efêmera como chuva de verão.

Hoje no samba eu não vou suar,
mas amanhã, quiçá.
Depois de amanhã... Aí sim!
Vou tomar banho de suor.
Ora! A maturidade faz bem ao maduro,
contudo pode amadurecer demais.
Demais.

Os sábios souberam, viveram,
souberam e viveram tanto,
mas tanto, mas tanto,
que atrofiaram os mesmos alentos.

Daí as barbas brancas.


Fábio Campos Coelho (16.07.09)