Esse silêncio com a mão no queixo
e concentração na coisa mais profunda.
Não me pergunte em quê,
eu também estou na inhaca noturna das feiras.
Esse silêncio, enfim, com o olho fechado,
Mas fechado por poucos segundos.
Ele fecha e abre constantemente,
Conforme o barulho, que não é balbúrdia.
É só barulho, mesmo,
De sai e entra em cada parada.
É um silêncio que desperdiça a simpatia
E comentário do dia
E das coisas de amanhã
Que tem de se fazer,
Tem de se fazer,
Afinal é a dignidade que está em jogo,
e isso é tão sério quanto vigiar os filhos pequenos
que estão na piscina.
Todo mundo está cansado,
Mas ninguém disse que isso é ruim
Porque, na raiz da razão,
Não o é.
Esses corrimãos aéreos,
Quase no teto do metrô dizem:
_Pronto, eu estou aqui trabalhador.
Me segure, que eu te seguro,
Eu sei que você se extenuou muito durante o dia.
E no final todos os passageiros saem,
No escopo do jornal da meia-noite
E de dois travesseiros:
Um para colocar a cabeça
E o outro para abraçar:
Abraçar a satisfação o remanso,
cujo pivô é a consciência de que se move.
Fábio Campos Coelho (30.09.09)











