sábado, 7 de março de 2009

Frases de mulher


Eu nunca fiquei com homem casado
Tenho dignidade, nunca fui mulher indecente
Como muita gente fala por aí.

Mas não escapei da rede dos enganadores
Daqueles que compram amores
Com poesia, palavra bonita e flores.

Eu nunca mais falo com você, cafajeste
Seu ridículo, sua peste, pensei
Que pelo menos fosse amigo.
E se eu for embora, fique sabendo
Desde agora que os filhos ficarão comigo.

Hoje não penso em casamento
Mas tenho sempre firme o pensamento:
Aos trinta quero me ver casada
Mulher que não casa não tem moral
Não tem felicidade, é mal amada!

Olha, netinho, nunca bata em sua mulher
Você nunca viu seu avô batendo em mim.
Não importa, seja o que ela fizer:
Quebrar prato, talher, destruir a harmonia
Mas se encostar a mão, não tem perdão:
Direto pra delegacia!

Homem desgraçado, vou me vingar, pode crê
Vou sair na rua, com saia curta, cheirosa
Gostosa, com meu cabelão, quase nua
Ele vai se arrepender.

Se ele não me deu valor
Eu também não tenho obrigação de amar
Vai ver agora o que merece
Vai rezar, chorar, fazer prece pra eu voltar.

Que mulher ridícula aquela
Fez escândalo no elevador
Quebrou a portaria, xingou o zelador
E queria que eu descontasse
Mas não faço isso, sou mulher de classe.

Fábio Campos Coelho (07.03.09)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Me diga o que devo sentir


A ilusão de qualquer mortal,
Mesmo sendo animal racional,
É pensar que, depois de muita experiência,
De estudar filosofia, literatura, a ciência,
Haverá fórmula concreta de como pensar.

Mas é tudo mentira esse bafafá
Mascarado pela aparência de maturidade
Pois mesmo com muita idade
A querida humanidade ainda erra
Coletivamente ou em particular.

Me diz, Deus, ao pobre mortal aqui
Como devo sentir depois disso tudo
Depois dessa eterna busca pela moral,
O princípio da educação e piedade.

Porque na confusa sociedade
Não se sabe qual é o sentimento
A ser priorizado ou se não existe
Essa bobeira de priorizar coisa nenhuma
Já que a vovó fala ao netinho
Que é pra ele pensar mais em si.

Me diga o que devo sentir
Quando chego ao bar
E ver o cotidiano de rir às quintas.

Mas seria mais agradável
Você me dizer, na hora de dormir
Em tom saciável: Não sintas.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Esboço da Saudade


Vovô me falava não abstratamente
Como é sentir saudade
Pois abstrata é só a palavra
Daquilo que se diz, de que se trata.

O conceito é sempre concreto
E como educado neto
Eu lhe ouvia atentamente.

Quando a imaginação está ativa
A saudade entra em existência,
Mas não fique triste, vovô dizia,
Vencedor é quem tem paciência.

Pois saudade é prova
Da presença de sentimento
Em qualquer momento
Mesmo com ausência
Da criatura lembrada.

Fábio (Fevereiro de 2009)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Sofrer é sofrer?


O efeito da cerveja muda tudo, o ponto de vista natural e a emoção. Muda as coisas para melhor, sempre. Faz desaparecer ou esclarece os problemas ridículos que a gente acolhe com carinho e consideração por pura burrice de ter alguma tristeza, como motor do carro, continuação para a vida. A ambição do à vontade é uma loucura, e quando conseguimos ser o que desejamos ser, o carro troca o óleo e agora pode andar pela estrada toda, que tudo ocorrerá bem, perfeitamente. A gasolina pro carro é como o álcool para o ser humano: dá força provisória, mas não nos dá a compreensão, a tranqüilidade de entender tudo e dormir como uma criança. A bicicleta que se ganha quando ainda é criança é o melhor carro, porque a gente anda sem poluir o pulmão dos outros e o próprio coração. É uma alegria inconsciente, que ainda não conhece o sofrimento. E entre a alegria consciente e o sofrimento eu prefiro o segundo; um dia seremos adultos mesmo! Viver é ter consciência da realidade que não é simpática, é ter a tranqüilidade de que um dia já se sofreu.

Fábio Campos Coelho (15/12/07)

Mentira


Eu me lembro quando o medo ainda era como barreira contra mim mesmo. Lembro quando me estranhei porque ninguém era tão legal assim comigo. Talvez a infância sempre tenha existido dentro de mim e quando a novidade estava perto, ela também era criança.
Não sei se confundi amor com inocência, mas é que quando nota-se alguma diferença é preciso andar, vasculhar e conhecer pra depois não se arrepender de que não se viveu. Um mundo só não existe, e ainda mais em um que está começando. A velhice é o fim de algo único. E se a vida for assim, única, mas longa demais qual motivo nos leva a não arriscar? O risco é o caminho do sucesso. O insucesso é ruim, porém faz parte. A minha cara de muro me mostra que brincadeira em excesso nunca é bom. É preciso seriedade para conseguir se limitar, e, além disso, o limite equilibra e traz madureza. Mulher gosta de homem inteligente, ninguém deseja um qualquer. A melhor mulher é aquela que se cala quando se encanta, mas não perde a oportunidade certa. A melhor mulher é aquela que sai da normalidade de apresentar vigor exagerado. Mentira, tudo isso é mentira. Só os lerdos acham filosofia ser ciência. Pare de confiar no que os outros falam; a melhor confiança é voltada para si mesmo.

Aliterações de Vestibulando


A vida Vazia me diz que sou fera.
Papo furado, que fere a gente só mais tarde,
que é quando a ferida só serve de
arrependimento da furada dos compromissos.
Tá na cara, isso eu sinto meu faro
De jovem correto, que não se refere
A ninguém na hora da dor.
Não fissuro, nem mesmo me furo
Pois sei que o verdadeiro fórum de cada um
está na própria consciência.


Fábio (2007)

Muitos e um só


E então, eu me trato assim, velho-bobo, como se houvesse determinado parâmetro de personalidade para eu agarrá-la e viver por conta do jeito de garanhão que ela gosta. Aí eu me pergunto onde está o meu verdadeiro jeito de ser, com defeitos infantis? O relacionamento estável tem tendência de possuir intimidade recíproca, porque isso fortalece o sentimento genuíno. Mas para o mundo ficar mais divertido será que eu não poderia inventar qualquer outro personagem que seja mais legal, mas que pertença a mim? Então eu chego à conclusão de que qualquer personagem que eu seja, serei sempre eu, porque sou como os outros: não gosto de me arrepender por não ter aproveitado todos os momentos.


Fábio Coelho (04.12.07)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Cabelo de fogo


Goiânia, capital sem sujeira
Mas muito pequenininha
Para aventuras da filha primeira
De Dona Terezinha.

Vontade de sair, de conhecer o mundo e as paixões.
Namorar até de madrugada, amar mil garanhões.
Mas ali havia uma barreira muito pesada
Era um tal de Teco, que não permitia quase nada.

A Moema, com seu cabelo de fogo e suas pintinhas
Foi ao desafio conhecer outro mundo,
Algo mais profundo: liberdade e fortaleza
E chegando ao rio de janeiro, naquele paradeiro
Foi dar aula de Língua Inglesa.

Construiu sua humana vida assim,
Sem medo, acordando cedo e indo trabalhar.
De Leblon a Ipanema, com vício em cinema
Conhecendo o mundo a beira-mar.

A Moeminha até que gostava dessa vida
Dura e puxada, porém mais gostosa que Coca
Até que um dia ela conhece um malandro carioca
E com ele tem duas filhas mais teimosas que pipoca.

A mulher do cabelo de fogo queria fazer mais faísca.
Aquilo ainda não a deixava satisfeita
Foi então em Santos que trocar sua vida ela aceita
Por um açougueiro bonito e barrigudo
Que não tinha nada, mas, sim, tinha tudo.
Estrutura, atitude, Ceará de conteúdo.

E na cobertura de um prédio qualquer
Com vista para o Atlântico,
Artesanato, isso é fato, prato, picanha, talher
Não seria tão elegante Nilson Cavalcante
Com outra mulher.


Fábio Coelho
07.02.2007

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

De mãos dadas


Hoje foi duro, pai

Eu sei que é férias

mas cheguei a ler as trinta páginas

do livro da faculdade

que dificuldade, do enredo

até desfecho: eternidade.


Leitura trabalhosa, pai.

Resolvi fazer graça de pegar matéria com sobral

querendo ser intelectual antes da hora.


Que globalização é essa, pai?

Eu nunca cobrei tanto de mim.

Você fala que cada qual

aqui na terra tem o próprio ofício

mas, pai, é tão difícil, quase sacrifício

aprender numero complexo

Não faz nexo ser tão durão assim.


Ontem teve samba lá no Chopp 10

Mas, pai, bati os pés

e prometi que terminaria o seminário,

fechar o meu fichário

e dormir tranquilo sabendo que

pelo menos naquele dia

eu tive a alegria de não ser vagabundo.


Mas é tanta gente nesse mundo

A Maria, o Raimundo

não descansam um segundo

atentendo interfone mesmo com fome

e vigiando o portão.

Aí eu penso tanto, tonto, tenso:

Será que o prestígio social depende do papel do cidadão?


Fábio Campos (29.01.09)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

De Repente


Eu tenho a idéia mais genial do mundo,
Mas se demorar mais que um segundo
Tudo desaparece, e o que resta de herança.
É a dor de não ter boa lembrança.

Para ser um bom poeta
Basta ter um ingrediente.
Não adianta estudar muito
Nem pegar firme no batente.

Mas a receita não tem muito segredo
Sobre o qual só sabe aquele que
Desde cedo busca da raiva
E do medo mais uma pobre inspiração.

Volto da escola, meio pensativo,
Pensando, pensando em qual adjetivo
Darei ao ato de, mesmo estando vivo,
Não dar importância ao esforço produtivo.

Para essa produção não há laboratório,
Pois a pesquisa aqui é algo aleatório.
Ninguém tem culpa de saber rimar,
E a salvação do poeta é poder se expressar.


Fábio Coelho (07.03.08)