terça-feira, 20 de maio de 2008

Sorte




Eu jogo tudo pra fora, com felicidade sem denominação, até porque felicidade já é uma palavra e toda palavra não passa de conceito. Os amigos são muitos, mas parece que alguns são fixos sem querer ser, porque a personalidade deles não exige força artificial para ser igual à nossa. Parece que quando se tem um amigo de verdade, a palavra amigo é apenas mais designação de palavra, e isso nos faz perceber que existem pessoas decentes, que servem para mostrar a mediocridade de cada um através de tal decência. Não é filosofia, é verdade. Ou pode até ser filosofia verdadeira. Viver aleatoriamente é como jogar um dado e não dar muita importância com o número seis. O sorriso voltado mais para o humor do que para a simpatia mostra que o não planejamento pode ser tão brilhante quanto uma vida de namoro, pois nos dois casos a sorte existe. A sorte pode ser muito bem a justiça que entra na vida dos de bem coração para lhes avisar que felicidade também é recompensa de bondade. Afinal, sorte também é apenas mais uma palavra no dicionário. Mas sorte mesmo é ganhar um prêmio por algo que não se quis exatamente fazer.


Fábio Coelho (18.05.08)

domingo, 11 de maio de 2008

Dia das mães


Mãe, mãzinha,
Você sabe que nesse mundo
tudo é superficial.
Então, o que me resta, lá no fundo,
é o seu acalanto maternal.

Eu ainda sou um passarinho
protegido no seu ninho
e esquentado pelo sol.

E quando chega o vento forte
Eu ainda tenho a sorte
de possuir o seu lençol.

Obrigado por ter me tido,
promotora de minha existência.
E agora que nasci,
tenha muita paciência.

Fábio Coelho (10.05.08)

Até que enfim

O tempo muda, mas o tempo não muda nada.
E nem as palavras que revelam o desejo de desbravar
Alguma coisa que a mata sente, mas a nós não resta.
A mata vive o dia inteiro fora de casa
Porque sua casa é a própria floresta.

Por isso ela não é mimada pela vida,
A sua vida é inerte, sem fragilidade.
A planta é uma coitada, não consegue falar.
Pois se conseguisse, seria tão ridícula,
Como um garoto fora da realidade
Que, mesmo com mágoa, consegue perdoar.

Aquele orvalho é assunto de geografia
É cansaço de fazer fotossíntese.
É a síntese de pensamentos depressivos.
E se tiver espinho, não há problema
Eles são inofensivos.

Quando a gente desmata toda a vegetação
Falando que faz parte o não,
Todo mundo fica parado
E ninguém pede desculpa.

Não é nossa culpa
cortar o medo pela raiz.
Assim, mais no futuro
A gente diz com muito orgulho
que um dia já se foi feliz.

Fábio Campos Coelho (11/05/08)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Paraíso sem graça


Por que você não me leva a alguma praia do mar de água verde, suja, diferente? Sabe o que é? Eu canso de ver esse jeito natural das pessoas de só servirem água de côco. E quando a gente bebe ninguém baba. Será que dá tanta vergonha assim? Todo mundo sabe que muito verão não soa bem, porque enjoa, a não ser que alguma tempestade venha de repente. Mas não, no verão é sempre assim: a chuva é calada, quieta e bem comportada, nunca leva um tronco de árvore. Que espírito mal o meu. Não, é que eu costumo ser legal quase sempre. É por isso que serve a primavera, pra gente descobrir alguma coisa pra depois ensinar no outono, quando tudo parece estar no fim.

Fábio Coelho (Novembro de 2007)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Não adianta



Ando sempre com a cabeça aqui
Funcionando de acordo com o que
Acontece e poderia acontecer.
Mas é uma pena que não tenho tempo
Para ver se estou realmente certo.

Porém, se eu tivesse muito tempo
Em muita besteira pensaria
Então prefiro esse começo de raciocínio,
essa superfície que é o dia-a-dia.

Um dia, um tempo grande sobrou para eu pensar
Pensei que pensando muito minha duvida iria acabar.
Foi então que concluí que é a mesma coisa
Pensar muito ou pensar pouco.

Pois o pensamento independentemente
Do tempo é sempre o mesmo.
E se a gente pensa intensamente
Eu sei, é perigoso ficar louco.

E com o próprio tempo
Eu percebi que não preciso
De muito tempo pra entender o mundo.

Quando me toquei de que tudo estava errado,
Eu me lembro muito bem:
Foi em menos de um segundo.



Fábio Campos Coelho (07.05.08)

domingo, 27 de abril de 2008

Gente Inteligente




Nessa vida sem sentido, eu como um mendigo
da sabedoria nem procuro mais a verdade.
Os espertos vivem pensando e me falando
Que o alvo agora costuma ser a felicidade.

E nós nessa cidade, sendo feliz e um pouco triste
Rimos das máquinas e robôs que são controlados.
Mas quem sabe somos passarinhos comendo alpiste
Presos nas gaiolas pelos mundos estressados.

Tem gente que estuda o dia inteiro
Tem mestrado, doutorado, e é respeitado.
E nem sabe ainda que o presente é o primeiro
A ser algo priorizado.

Deveria ser mais esperto e menos sensível
E parar de pensar no passado e no futuro
Poderia viver e reviver o que me é possível
Porque é certeza que nem é bom ser tão puro.

Sr feliz à vontade não é não ter responsabilidade
Eu quero comer tapioca com catchup, sorvete com arroz
Parei de ter mania de ver o futuro como santidade
Deixa eu curtir o agora, as espinhas e diarréia vêm depois.

Fábio Coelho (2007)

sexta-feira, 18 de abril de 2008

atravessando o limite


Eu tento ver até onde meu crescimento vai.

A experiência, já conseguida pela dor e compreensão, sinaliza-me que não há limite de crescimento, mas o instinto racional vai totalmente na contramão:

me fala para não perder tempo com isso, pois tudo tem conceito; e conceito é longe da realidade.

A realidade, então, não diz quem é, como é, ou se existe mesmo, estimulando eu a parar de pensar.

É miuita filosofia para o meu gosto. E daquelas confusas mesmo, sem capacidade de representrar certeza.


Viva o fluminense, mas viva o flamengo também!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Beiço, amigo Beiço


Beiço, você é um safado
Fala que não pode pegar
A tal da derradeira,
Mas não sabe que lá
Em cima da geladeira,
no fundo do freezer
Tem a minha saideira.


Beiço, amigo vinícius,
Você, que é da família Valadares
Que não cança de se embebedar
Pelos bares, não pode ligar
Para uma pobre cerveja.


Porque os amigos do Marista
Valem mais que um artista
Olha esse valor menino, veja.


Beiço, coleguinha da boca grande
Não fique ancioso assim, dependente
Pessoas como você não pode
Se afogar nbo álcool,
você é um cara inteligente.


Pare de jogar esse Pôker.
esse jogo é puro vício,
E além do mais é muito difícil
um macaco não vive só de cipó.
Manda essa breja pra cá,
Não me deixe assim tão só.


Fábio Coelho
04/04/08
Escrita numa normal sexta-feira

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Pronome Relativo


O mistério, que todo mundo gosta de sentir, junto com epifania.
A epifania de toda noite, que chega por causa da solidão.
A solidão inimiga de quem só quer ser feliz, e que tem saudade.
A saudade que espera por um abraço que nunca chega.
O pronome relativo que tanto exprime a prova da vida.
A vida, o cúmulo do número um, e por isso dá tanto medo.
O medo que protege, mas impede de acontecer a sorte.
A sorte, que não avisa quando vai aparecer e depois é superada pela atitude.
A atitude que não dá desculpas ao erro oculto.
O erro feito pelo ser humano pelo simples fato de ser imperfeito.
A imperfeição, com o seu lado ruim humilha a perfeição.
Que um dia vai cansar de fingir ser bela e confessar que nunca foi perfeita.
E por fim, o quebra-molas da rua, que pega de surpresa o carro,
Só para avisar aos viajantes que a viagem da vida só é aturada porque tem tristeza.


Fábio Coelho (06.01.08)

terça-feira, 8 de abril de 2008

A tal da experiência


Quando você pensa que tudo é completo assim
Como essa pobre ilusão de achar que tudo foi visto
Ou vivido, sentido sem ter sofrimento.

Quando você pensa que já não tem mais nada
Para aprender porque a puberdade já passou
Porque já sabe tratar a mulher do jeito como
Todo homem trata.

Quando você acha que compensa um dia
Ser educado fazer o máximo de silencio
Possível porque acredita que um dia
Toda essa bondade voltará para você.

Quando você estuda o que não gosta
Só porque sabe que não sabe de nada e
Tem agonia de ser tão ignorante assim.

Quando você descobre que nunca vai
Saber das coisas vindas da coincidência,
Aquelas coisas que lhe farão conhecer
a mulher da sua vida ou qualquer outro tesouro.

Você é igual a mim. Pensa que não sabe,
Mas pensar nisso é o primeiro sinal
Da experiência. Mas que mania feia é essa
De pensar que ser criança é decadência!

Fábio Campos Coelho (08.04.08)